segunda-feira, 23 de julho de 2007

Last Days


Assisti "Last days", do Gus Van Sant e só fico pensando na genealidade do Blake, personagem principal do enredo. O filme gira em torno dos últimos dias de vida dele, um vocalista e líder de uma banda de rock que se mata com um tiro na cabeça. Mas veja bem, Courtney: não estamos falando do Kurt!

Kurt merece um filme? Acho que sim. Pra mim, ele foi um dos maiores gênios com prazo de validade existente na música.

Rock garagem, punk, indie, grunge.... a cena do filme e de Kurt é esta: garotos do interior que formam trios e ensaiam três, quatro acordes e batata. Fica foda! Pegamos os primórdios deste rock de garagem, e na boa, rock de garagem não é rock pra músico, é rock for fun! (I'm sorry, The who!). Não é o melhor baixista com o melhor baterista ou com o melhor guitarrista fazendo solos em montanhas rochosas para uma garota perdida no deserto a lá David Coverdale. É, sim, você se meter em porões com a sua banda de três garotos no máximo, subir no palco com a sua limitação musical e fazer o seu som. E você pode ter este público - por que não?

Kurt (ou Blake) resumiu no Nirvana o grito desta geração que estava engasgada com aquela puta breguice que reinava na época. Afinal, era época de lambada, não era?

Kurt se matou e levou com ele um pouco da esperança que este novo som trazia. Anos mais, a idéia foi passada ao Limp Bizkit, que virou promessa no final dos anos 90. Os caras são até legalzinhos, mas não são uma banda. Fora que O rock garagem Seattle acabou na Flórida dos Backstreet Boys. É de doer!

É nesse cenário que surge The Strokes, e com ele a música descobre bandas novas como The Libertines, The Vines The Hives....the the the. Isso me lembra a época dos The Beattles, The kinks, The Rolling Stones. Enfim, o rock se re-ergue.

Por que eu estou falando tudo isto? É simples. Quero fazer uma pergunta a vocês:

Blake merece ou não merece um desconto?

Curti filme Gus. O rock é trágico – é por isso que é bom!

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